Sejam bem-vindos!!!

Este blog gostaria de ser uma espécie de montanha sagrada a auxiliar os encontros com o Divino e ajudar a inspirar pessoas. Aqui, falo de coisas que podem elevar a alma: religião, artes, músicas, literatura, ciência etc. Partilhando meus pensamentos e estudos...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A visita dos magos

Trecho extraído do livro "Bíblia: perguntas que o povo faz", do frei Mauro Strabeli

    A chamada visita dos reis magos a Jesus é narrada somente por Mateus (Mt 2,1-12). O capítulo 2 de Mateus é considerado hoje como “página instrutiva” do evangelista sobre a infância de Jesus, e não página histórica. Esse modo de escrever é chamado na linguagem bíblica de midraxe; esse capítulo é pois um texto midráxico. A palavra midraxe é hebraica e quer dizer exposição, ensinamento religioso; é a explicação de texto bíblico feita muito livremente, com alegorias, imagens, comparações e até fantasia.

    Mateus usa livremente vários textos bíblicos do Antigo Testamento para transmitir o seu ensinamento sobre Jesus. Para ele, Jesus é o novo Moisés e é maior que Moisés. É o novo Legislador. O evangelho de Jesus é, para Mateus, a Nova Lei; a Igreja é o novo povo. Todos esses ensinamentos têm fundamento no Antigo Testamento. Por isso, Mateus os usa. Portanto, os relatos em estilo de midraxe no evangelho de Mateus não são falsos por não relatarem fatos históricamente comprovados sobre a vida de Jesus. A base deles são os fatos históricos passados, recebidos à luz de sua teologia, e de sua intenção ao escrever o seu evangelho.

    Usando esse gênero literário, esse modo de escrever, Mateus fala, nesse capítulo 2, sobre a visita dos reis magos, a fuga para o Egito,a morte dos inocentes e a volta de Jesus para Nazaré.
Todos esse fatos têm base no Antigo Testamento, na história do povo de Deus. E Mateus faz essa história bíblica tornar-se presente, atualizando na vida de Jesus e na sua pessoa os fatos acontecidos no passado de seu povo.

    Uma vez entendida essa ótica de Mateus, podemos considerar os elementos concretos dessa narração em forma de midraxe.

A visita dos reis magos
 
    O fato é situado no tempo do rei Herodes, o Grande. Ele reinou na Palestina, do ano 37 a.C. até o ano 4 a.C. Foi nesse tempo, segundo Mateus, que vieram do Oriente os reis magos, dirigidos por uma estrela.
    
    O texto do evangelho não chama essa personagens de “reis”.

    Segundo os estudiosos, e de modo especial, segundo informações do historiador grego Heródoto, os magos constituíram um grupo sacerdotal no reino dos medos. A Bíblia diz que existiam cetos sábios em Babilônia que eram chamados magos (Jr 39,3; Dn 2,4).

    Sabe-se pela própria Bíblia e pela História que muitos reis e muitos pagãos visitavam Jerusalém, atraídos – entre outros motivos – também pela religião aí praticada. Por exemplo, a rainha de Sabá visitou Salomão (1Rs 10); e nos tempos do Novo Testamento, os Atos relatam a presença de inúmeros estrangeiros em Jerusalém (At 2,7-12).

    A presença de sábios estrangeiros em Jerusalém é fato histórico; os magos perteciam a esses grupos de visitantes.

    Mateus insere, porém, como motivo da visita deles o aparecimento da estrela de Jesus: “pois vimos a sua estrela no Oriente e viemos prestrar-lhe homenagem” (2,2). Clarissimamente Mateus usa aqui a referência histórica do livro dos Números, onde se relata um oráculo messiânico de um mago ou sábio da Mesopotâmia chamado Balaão. Ele diz: “eu vejo – mas não é para agora – eu avisto – mas não de perto – uma estrela sai de Jacó; um cetro surge de Israel” (Nm 24,17).

    Mateus usa esse trecho e o interpreta como profecia sobre Jesus e põe essa profecia nos lábios dos magos; faz deles o veículo da realização do oráculo profético: a estrela que Balaão previra é Jesus; os magos vieram para ver Jesus.

    Poderíamos ainda acrescentar que Mateus dá aqui novo sentido ao simbolismo da estrela. A estrela como se sabe é o símbolo da nação judaica (Nm 24,17; Gn 49,1-10). Para Mateus a estrela é agora Jesus.

    Muitos estudiosos modernos tentam, porém, explicar o aparecimento da “estrela dos magos” como fenômenos astronômico: teria sido um cometa, ou até a famosa conjunção de Júpiter e Saturno que se deu no ano 7 a.C. Tudo isso, porém, é alheio ao texto de Mateus. Ele não está fazendo referência a astro nenhum; faz apenas um midraxe do texto de Nm 24,17. E também não podemos deixar de observar que no mundo Greco-romano daquele tempo havia o costume de designar como “estrelas” os eventos importantes da vida dos grandes homens.

    Historicamente, podemos até admitir que alguns sábios visitaram Jesus. Mateus relata essa tradição através da releitura de textos bíblicos do Antigo Testamento.

FONTE:

STRABELI, frei Mauro. Bíblia: Perguntas que o povo faz. São Paulo: Paulus, 1990 (9ªEd.) pp. 138-140.

((•)) Ouça este post Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Nenhum comentário:

Postar um comentário