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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Duas classificações dos fenômenos religiosos

Detenhamo-nos por um instante acerca da classificação das religiões.

Existem muitas maneiras de classificar as religiões, dependendo do ponto de vista: expansão geográfica, conceito de Deus e conteúdo ideológico, ligação sócio-cultural etc. Seguiremos aqui duas classificações de autores distintos, visto que cada uma delas ressalta um aspecto pertinente ao nosso objetivo nesse estudo. No próximo post, abordaremos uma terceira opinião.

A primeira delas é a proposta de Johan Konings e Urbano Zilles do ponto de vista da “mentalidade geral ou da espiritualidade”(01) . Estes autores dividem as religiões em quatro grupos:

1) Religiões ditas primitivas: expressão a sacralidade de maneira acrítica e pré-reflexiva. Embora respondam, muitas vezes, a uma rígida estrutura inconsciente, mostram pouca sistematização refletida. São geralmente de alto teor mágico. Exemplos: animismo, fetichismo, o politeísmo, o totemismo, a umbanda, as religiões dos índios brasileiros etc.;

2) Religiões sapienciais: estas acentuam mais a meditação, a sabedoria, o sentido da vida, a contemplação e a oração etc. Propõem, muitas vezes, uma sabedoria prática na forma de um elevado ideal ético. Exempos: hinduísmo, budismo, confucionismo, taoísmo, espiritismo;

3) Religiões proféticas: também chamadas “de revelação”. Pretendem transmitir uma palavra ou mensagem de Deus falando através de “profetas” (termo de origem grega, que significa “porta-voz”). Exemplos: judaísmo, cristianismo e islamismo;

4) Religiões filosóficas: estas não têm, propriamente, as características objetivas de uma religião institucional (dogma, moral e ritos comuns). Às vezes, nem aceitam o conceito de Deus, mas procuram uma adesão ao Absoluto de maneira subjetiva. Exemplos: o deísmo, o humanismo, o positivismo, certas formas de budismo.

O padre Waldomiro O. Piazza, SJ, também classifica as religiões em quatro grupos distintos, baseando-se no “método comparativo fenomenológico”, localizando-as no espaço e no tempo(02):

A) Religiões de integração: pertencente aos povos primitivos (coletores, caçadores, predadores ou de agricultura incipiente), nos quais a organização social não vai além do modo tribal. O homem aqui limita-se a viver do produtos da natureza e por isso, sente-se como “produto” do ambiente natural em que vive. Daí a sua tendência para “integrar-se” nos ritmos da natureza, como meio de assegurar a sua sobrevivência. Seus problemas religiosos restringem-se às exigências imediatas para sobreviver: a fecundidade da mulher, que lhe dá os filhos, e a reprodução da caça, que o alimenta. Corresponderia, de certa forma,  a alguns aspectos da  “religião dita primitiva” de Konings e Zilles;

B) Religiões de servidão: são aquelas em que os deuses aparecem como grandes senhores do céu, da terra e das regiões inferiores, aos quais os homens devem serviços e homenagens, em troca de benefícios imediatos. Em geral, pertencem a povos de cultura mais desenvolvida, com uma agricultura em vias de sistematização, ou já sistematizada, com princípios de urbanização ou já com cidades prósperas, centros de um comércio ativo e de uma indústria apreciável. Temos o culto promovido por um sacerdócio hierarquizado. Surgem as especulações acerca da origem do cosmo e das divindades, que se encontram vinculadas às forças da natureza. O “Deus Supremo” não é um “Deus Criador” nem um “Deus Transcendente” porque ele mesmo surge como o cosmo. As divindades brigam entre si e o homem é uma figura passiva nesse drama à mercê da boa vontade dos deuses que presidem tais forças. Daí, o caráter pessimista dessas religiões. Aqui se enquadram as religiões do Antigo Egito, da Mesopotâmia, dos celtas, dos gregos, dos romanos, dos cananeus, da China Antiga, do Japão, do Maias, Incas e Astecas;

3) Religiões de libertação: trazem a idéia de que o homem é capaz, através de certos meios éticos ou técnicos, “se libertar” de sua situação degradante. São exemplos: o maniqueísmo, o gnosticismo, o hinduísmo, o budismo, o taoísmo, o confucionismo;

4) Religiões de salvação: a preocupação é a expiação das culpas (pecados) cometidas, a crença em um Deus único, soberano, justo, remunerador, a crença na retribuição na vida do além-túmulo e conseqüente imortalidade da alma e na misericórdia divina, que perdoa o pecador arrependido. Aqui o autor inclui o zoroastrismo, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.

Notas:
01.  KONINGS, Johan M. H. & ZILLES, Urbano (org.). Religião e Cristianismo. Rio Grande do Sul: EDIPUCRS, 1997, pp. 89-90.
02.  PIAZZA, Waldomiro O. religiões da humanidade. São Paulo: Loyola, 2005 (4ª ed.).
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