Sejam bem-vindos!!!

Este blog gostaria de ser uma espécie de montanha sagrada a auxiliar os encontros com o Divino e ajudar a inspirar pessoas. Aqui, falo de coisas que podem elevar a alma: religião, artes, músicas, literatura, ciência etc. Partilhando meus pensamentos e estudos...

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Comentário às Bodas de Caná (Jo 2,1-11)

Um dos milagres mais contestados de Jesus se refere à transformação da água em vinho durante o casamento em Caná da Galiléia. Aqui será analisada as várias possibilidades interpretativas. O texto é descrito apenas por São João:

1. No terceiro dia, houve uma festa de casamento em Caná da Galiléia, e a mãe de Jesus estava aí. 2. Jesus também tinha sido convidado para essa festa de casamento, junto com seus discípulos. 3. Faltou vinho e a mãe de Jesus lhe disse: «Eles não têm mais vinho!» 4. Jesus respondeu: «Mulher, que existe entre nós? Minha hora ainda não chegou.» 5. A mãe de Jesus disse aos que estavam servindo: «Façam o que ele mandar.» 6. Havia aí seis potes de pedra de uns cem litros cada um, que serviam para os ritos de purificação dos judeus. 7. Jesus disse aos que serviam: «Encham de água esses potes.» Eles encheram os potes até a boca. 8. Depois Jesus disse: «Agora tirem e levem ao mestre-sala.» Então levaram ao mestre-sala. 9. Este provou a água transformada em vinho, sem saber de onde vinha. Os que serviam estavam sabendo, pois foram eles que tiraram a água. Então o mestre-sala chamou o noivo 10. e disse: «Todos servem primeiro o vinho bom e, quando os convidados estão bêbados, servem o pior. Você, porém, guardou o vinho bom até agora.» 11. Foi assim, em Caná da Galiléia, que Jesus começou seus sinais. Ele manifestou a sua glória, e seus discípulos acreditaram nele(01).
(Bíblia Edição Pastoral)

A maioria esmagadora das traduções situa o episódio “no terceiro dia”, exceto as versões Almeida Revista e Atualizada (ARA) e Bíblia Viva (BV), que registram: “dois dias depois” do encontro de Jesus com Natanael em Jo 1,47-51.

As interpretações são variadas no que seria esse “terceiro dia”. Para os estudiosos da TEB, o “terceiro dia” seria três dias após a promessa feita a Natanael e sete dias após a cena de Betânia (o testemunho de João Batista em 1,28); o evangelho, portanto, inicia-se bem como o Gênesis, com uma semana; esta, ao sétimo dia, vai desembocar na primeira manifestação da glória de Jesus (2,11). Para Alonso Schökel, na Bíblia do Peregrino, o “terceiro dia” é, na verdade, o sexto, desde o chamado de André, no qual Deus teria criado o homem e a mulher em Gn 1. Na concepção de Meier, “embora interessante, esse paralelismo marcado também apresenta seus problemas. O exegeta deve se esforçar para encontrar um padrão de sete dias exposto em Jo 1,19-2,11 (...) a fórmula do cálculo de modo algum é clara”(02), por isso, existem tantas divergências.

Konings enriquece ainda mais o simbolismo do “terceiro dia”: “geralmente indica um breve lapso de tempo, às vezes relacionado com o (pronto) agir divino (Gn 22,4; 31,2; 34,25; 40,20)... Foi no ‘terceiro dia’ que Deus entregou a Torá (Lei, ou melhor, instrução) ao povo (19,11.15.16). É no terceiro dia também que Deus socorre o povo (Os 6,2! Cf. Lc 13,32; Mt 16,21 par.)...”(03).

Há estudiosos que buscam na expressão “terceiro dia” uma referência à ressurreição de Jesus. Sabemos que no credo primitivo cristão já se encontrava fixada a fórmula “terceiro dia” aplicada à ressurreição (Mt 16,21; 17,23; 20,19; 27;64; Lc 9,22; 18,33; 24,7; At 10,40 1 Cor 15,4) e a referência à “hora” não chegada (Jo 2,4), junto com a reconstrução do Templo/Corpo no terceiro dia (Jo2,19.21s) reforçam essa tese. Contudo, “o Evangelho de João diferente de alguns outros escritos do NT, em lugar nenhum fala da ressurreição de Jesus com a expressão usual “no terceiro dia”(04).
Para Keener, o terceiro dia “não se refere ao terceiro dia da semana, visto que as virgens só se casavam no quarto dia (quarta-feira) e as viúvas no quinto [o autor não cita as fontes]. E também não parece bater com a contagem de dias em 1,29.35.43. Mas, os autores antigos quase sempre agrupavam separadamente segmentos de sua obra, começando-a e concluindo-a com a mesma nota (prática esta denominada inclúsio): assim, João pode estar usando essa designação apontando na direção de 2,19 e ligando essa história (2,1-11) com a previsão da morte e ressurreição de Jesus”(05). Já Meir prefere uma explicação mais simples: o terceiro dia constituiria em um elemento de conexão entre a história de Caná e a reunião dos primeiro discípulos, em geral, e, em particular, a promessa feita a Natanael de que ele veria coisas ainda maiores (Jo 1,50)(06).
Festa de Casamento em Caná, pintura de Rutilio Manetti (c. 1620)
O episódio se passa em uma festa de casamento, “bodas” (como escrevem as versões BAM e ARC) ou ainda “núpcias”(07) (TEB), situada no “povoado” (NTLH) ou “aldeia” (BV) de Caná, na Galiléia. Keener levanta duas hipóteses sobre sua localização: talvez seja Kefar Kann (quase 5 km de Nazará) ou Khirbet Kana (a mais de 12 km de Nazaré) – a maioria dos estudiosos prefere esta segunda opção(08). Interessante notar que em Jo 21,2, Natanael é descrito como natural desse vilarejo: teria sido essa a razão pela qual Jesus fora convidado para o casamento?

No versículo terceiro, descreve-se o problema em duas correntes de traduções: a maioria diz que o vinho já tinha acabado quando Maria comunica a Jesus o fato; enquanto a BAM e a TNM sugerem que o vinho estava prestes a acabar (isso influenciará na natureza do milagre ocorrido, como veremos mais na frente).  Keener tenta justificar a relevância do milagre “as cerimônias de casamentos duravam sete dias, e os anfitriões convidavam o maior número possível de pessoas, sobretudo hóspedes distintos como os mestres. Deixar que acabasse o vinho, num casamento, era, socialmente falando, uma verdadeira gafe, e acabaria se tornando objeto de zombaria anos a fio. Era responsabilidade do anfitrião abastecer seus hóspedes com suficiente provisão de vinho para sete dias”(09).

Constatado o fato, Maria se dirige ao filho: “eles não têm mais vinho” (v.3). Como ela sabia? Keener tenta justificar, mas sem citar as fontes: “os aposentos das mulheres ficavam próximos ao lugar onde o vinho era guardado”(10), desse modo, ela pode tomar conhecimento do fato antes que viesse à público.

A resposta de Jesus ao comentário (ou pedido velado?) de Maria, dependendo da tradução, assume tonalidades diferentes. Em algumas versões aparenta-se um maltrato de Jesus para com sua Mãe: “Mulher(11), que existe entre nós?” (BEP); “Mulher, que tenho eu contigo?” (TNM, ARA, ARC, SBB); ou "Que temos nós em comum, mulher?” (NVI). Noutras, parece-se focar no sentimento de indiferença momentânea de Jesus ante àquela situação: “Mulher, isso compete a nós?” (BAM); “Mulher, que é isso, para mim e para ti?” (CNBB). Na Nova Tradução Linguagem de Hoje (NTLH), talvez, tenha-se achado absurdo que Maria tenha tomado conhecimento da situação antes do Filho, por isso, Jesus é categórico em sua resposta: “Não é preciso que a senhora diga o que eu devo fazer” – também deve ter julgado absurdo o fato de Jesus ter chamado sua mãe de “mulher”, por isso, optou-se aqui por uma forma mais respeitosa: “senhora”(12). Já na Bíblia Viva (BV), simplesmente, Cristo se recusa a atender prontamente a solicitação da Mãe: “Eu não posso ajudar agora". Por fim, a TEB e a Bíblia do Peregrino concordam em traduzir a resposta de Jesus como uma pergunta: “Que queres de mim, mulher?”(13) – como se ele precisasse ouvir o pedido.

A justificativa para a aparente recusa é a mesma em todas as traduções: “minha hora não chegou” (a BV adianta-se na explicação do que vem a ser “a hora”: para seus tradutores seria a “hora de fazer milagres”).

Sua mãe disse “aos que estavam servindo” (BEP, CNBB, TEB), “serventes” (BAM, BP, ARA, SBB), “serviçais” (NVI), “empregados” (ARC, NTLH), “criados” (BV) ou os “que ministravam” (TNM): “façam o que ele disser”(14). São todas traduções do termo grego ύπηρέτας (uperetas) que significa tanto servo, ministros, ajudantes(15). Na tradução de Konings, usa-se diáconos, palavra rara, mas de uso na comunidade cristã, tavez uma alusão ao serviço da comunidade(16).
Grande talha para água (Museus Rockefeller de Jerusalém)

No local, havia “seis talhas” ou “potes de pedra” (BEP, NTLH, NVI), cuja capacidade varia de acordo com a tradução: “uns cem litros cada” (BEP, CNBB), “continham cada qual duas ou três medidas”(17)  (BAM, TEB, TNM) ou cabiam “entre oitenta a cento e vinte litros” (NTLH, NVI, BV) ou “setenta a cem litros” (BP). Todos concordam que tais recipientes eram utilizados para os rituais de purificação.

“A descrição dos cântaros de pedra indica que eles continha água em quantidade suficiente para encher um tanque de imersão judeu utilizado em cerimônias de purificação. Embora os fariseus proibissem a estocagem de água em tais recipientes, alguns judeus eram menos inflexíveis. De sorte que os cântaros aqui referidos, devido à sua maior capacidade de retenção de líquido, eram reservados para fins ritualísticos. Cântaros de pedra eram de uso corrente porque estavam menos sujeitos a reter impurezas rituais do que os receptáculos de outra natureza. A utilização dos cântaros com outra finalidade profaná-los-ia temporariamente. Jesus se mostra mais interessado no casamento de seu amigo do que no ritual contemporâneo”(18).

Jesus ordena que os encha com água, o que é prontamente atendido.

A segunda ordem (v.8) é para que os servos levem as talhas até o “mestre-sala” (BEP, BP, ARA, ARC), “mestre de cerimônia” (BV) “o encarregado da festa” (CNBB, NVI), “chefe dos serventes” (BAM), “diretor da festa” (TNM), “dirigente da festa” “presidente da mesa” (SBB) “mordomo”. O mestre-sala, architrilinnos em grego, no mundo greco-romano, era o servo mais graduado, responsável pelo andamento de um banquete. Em Jo 2,1-11 ele atua não só como o chefe de um grupo de servos na festa, mas também como o intermediário entre estes e o noivo(19).
Ele chama o noivo e exclama após provar da água transformada em vinho: “Todos servem primeiro o vinho bom e, quando os convidados estão bêbados, servem o pior. Você, porém, guardou o vinho bom até agora” (BEP). Existem algumas variações na classificação do vinho: “bom” e “menos bom” (CNBB, TEB); “bom” e “inferior” (TNM, ARA, ARC, SBB); “melhor” e “mais barato” (BV); “bom” e “pior” (BP); “vinho excelente” e “inferior” (TNM); ou uma tríade: “bom”, “comum” e “melhor” (NTLH); “bom”, “menos bom” e “melhor” (BAM), demonstrando com isso algo acima de qualquer expectativa. 

Aqui entramos no ponto mais polêmico dessa passagem bíblica: a transformação da água em vinho.

A grande maioria dos estudiosos atuais interpreta o fenômeno ocorrido em Caná como uma passagem simbólica. Para Leon-Dufour, a transformação da água em vinho representa a melhor maneira de falar da relação entre dos dois Testamentos: “o vinho produzido não é acrescentado à água, é a água tornada vinho. Da mesma maneira, o Novo Testamento não suplanta aquilo que impropriamente se designa como Antigo Testamento. devido à palavra de Jesus, ele é o Testamento de Deus tornado novo”(20). Flanagan, sintetizando as idéias mais comuns, escreve que “mudar a água veterotestamentária em vinha messiânico significa ou assinala para João a passagem do velho para o novo”(21). Meier vê nessa transformação da água em vinho o símbolo da substituição do judaísmo pelo cristianismo, no fim do século I, quando a igreja de João, na origem bem à vontade dentro da sinagoga judaica, sofreu uma ruptura traumática com o judaísmo e passou a expressar sua nova identidade como um grupo separado(22). Konings considera que “no simbolismo judaico, a água é associada à Torá. Essa não falta, vinho sim – falta a alegria messiânica”(23), para esse autor, “o sinal de Caná não aponta para um fornecimento espetacular de vinho, mas para a missão messiânica de Jesus, a qual ele assinala. Com uma conotação especial: Jesus mesmo está no centro da Aliança entre Deus e o povo – embora João não use esse termo”(24) (destaque meu).

O problema com essa interpretação está nas variáveis e sua implicação: o evangelista estaria a dizer que o Antigo Testamento é “pior” que o Novo? É “inferior”? A tradução da BV destrói essa analogia entre Velho e Novo ao se referir exclusivamente ao preço da bebida.

Meier parece não acreditar na historicidade do evento de Caná e aponta uma série de “falhas”: “o ‘mestre-sala’, conforme é descrito em Jo 2,1-11, não parece representar qualquer tipo histórico de funcionário na Palestina judaica do século I”(25). Quanto a exclamação do mestre-sala sobre o costume do v.10, o mesmo autor observa que “não encontramos tal costume, regra ou provérbio universal sobre anfitriões e convidados nas antigas sociedades Greco-romana ou judaica”(26). Contudo, devemos nos perguntar: todas as leis e costumes, principalmente, dos camponeses do início da era cristã foram registrados? Devo concordar, entretanto, que não se deve fazer conjecturas sem embasamento sólido. À guisa de conclusão, Meier escreve: “quando somamos esses problemas históricos à maciça quantidade de traços literários e teológicos joaninos que permeiam toda a narrativa, é difícil identificar qualquer ‘cerne histórico’ ou ‘evento central’ que possam ter qualquer pretensão a remontar ao Jesus histórico (...) se nos for perguntado se existem indicações suficiente de que em Caná da Galiéia o Jesus histórico de fato realizou algum feito assombroso envolvendo água e/ou vinho, um feito que os discípulos que o acompanhavam consideram um milagre, a resposta deve ser negativa(26)  (negrito meu). Fico a pensar se tal conclusão não foi influenciada, de alguma maneira, pelo fato de o autor não ter conhecimento da existência desse estranho e incomum fenômeno, quase sem paralelo na Bíblia (mas com alguns casos semelhantes na hagiografia católica – como ainda veremos mais adiante).

Outra interpretação possível do texto é alegórica. “A interpretação alegórica vê em cada elemento de um relato um símbolo, como representação de um sentido oculto (...) é (...) a apresentação de um conceito por meio de imagens concretas (...) não tem sentido denotativo, mas figurado, pois remete a uma verdade oculta”(28). Na interpretação patrística e escolástica as alegorias são prefigurações de Cristo. Assim, São Tomás de Aquino vê no “vinho do Antigo Testamento” o prenúncio do vinho eucarístico; as talhas de barro vazias representam o coração do homem pecador que é preenchido pela vida transformada em Cristo. As núpcias representariam a união de Cristo com a Igreja e o vinho novo seria novas formas de viver a justiça, a sabedoria e a caridade(29).

Tornou-se também comum a idéia de ler a passagem como representação dos sete sacramentos: seis deles seriam as talhas, sendo a Eucaristia o próprio cristo (o sétimo sacramento), os serventes seriam os diáconos e o mestre-sala, o administrador da eucaristia. Entretanto, Meier observa que “o primeiro milagre em Caná usa o símbolo do vinho sem jamais mencionar o sangue, enquanto a parte eucarística do discurso do pão da vida (Jo 6,51-58) emprega as imagens vívidas sobre comer a carne de Jesus e beber o sangue, sem qualquer menção a vinho”(30).

Essas interpretações são totalmente possíveis, desde que não anulem a realidade do texto, como ainda veremos. Utilizar-se de simbolismo para explicar a transformação da água em vinho é perfeitamente possível, abre dimensões interpretativas do texto, entretanto, corre-se o risco da negação da possibilidade de um evento deste porte ocorrer. Assim existem interpretações totalmente simbólicas ou, no outro extremo, explicações completamente naturais do fenômeno ou mesmo paranormais.

Dentro dessas últimas categorias encontramos, por exemplo, a de Alan Kardec, codificador do Espiritismo. Em seu Livro A Gêneses, ele afirma que o episódio de Caná não ocorreu de fato, mas se trata de uma parábola: “Se bem que, a rigor, o fato se possa explicar, até certo ponto, por uma ação fluídica que houvesse, como o magnetismo oferece muitos exemplos, mudado as propriedades da água, dando-lhe o sabor do vinho, pouco provável é se tenha verificado semelhante hipótese, dado que, em tal caso, a água, tendo do vinho unicamente o sabor, houvera conservado a sua coloração, o que não deixaria de ser notado. Mais racional é se reconheça aí uma daquelas parábolas tão freqüentes nos ensinos de Jesus” (A Gênese, cap. XV, 47). Analisemos duas hipóteses levantadas: a parábola e a “ação fluídica” através de “magnetismo”.

No que se refere à tentativa de explicar Jo 2,1-11 como parábola não se sustenta por uma questão de gênero literário. É muito diferente a forma narrativa das parábolas. Além do fato de não se fornecer explicação do evento (algo bastante comum no modo de ensino de Cristo), o Evangelho de João não apresenta parábolas, não é característica literária do evangelista.

A hipótese da “ação fluídica” ou “magnética” é um pouco mais complexa. Entramos aqui no domínio dos fenômenos parapsicológicos e no mundo da hipnose.

Durante a década de setenta, o dentista Dr. Marcos Hochheim publicou o livro Cristo, o hipnotizador, no qual tenta explicar os milagres de Jesus através da influência hipnótica. A revista católica Pergunte e Responderemos rebate às várias afirmativas da obra, os principais argumentos apresentados contra essa frágil hipótese são: a sugestão é incapaaz de curar graves lesões ou alterações de tecidos ou órgãos, atuando, no máximo, em casos de doenças funcionais (de fundo nitidamente psíquico ou nervoso), ademais é ineficaz sobre pacientes que lhe oponham bloqueios psicológicos; nem age à distância ou sobre criaturas inanimadas (como no caso das revitalizações)(31). No caso específico em que estamos analisando, cabe a observação de que o mestre-sala, não conhecia a procedência do vinho (v.9s), portanto, não poderia ter sido hipnoticamente influenciado.

Em se tratando, porém, da hipótese parapsicológica de “ação fluídica”. Há alguns detalhes a serem observados. De fato, existe uma faculdade humana, chamada terlergia, uma espécie de energia corporal, que em algumas situações, pode intervir na matéria, inclusive no nível das ligações sub-atômicas, intra-moleculares. Dessa forma seria capaz de fazer determinada substância desaparecer e reaparecer em outro lugar, inclusive atravessando paredes e outros obstáculos. A isso os especialistas chamam de aporte(32).
Os problemas da invocação dessa hipótese para explicar a transformação da água em vinho são muitos: o fenômeno não é espontâneo e controlado ao bel prazer do dotado (poder-se-ia dizer que Cristo por ser Deus, teria o controle das faculdades parapsicológicas); tem raio de ação limitado nunca superior a 50 m do dotado (Jesus na condição divina poderia romper esse limite); se o vinho estava escasso, onde Jesus “aportaria” vinho nas cercanias? No aporte, não se dá a criação de uma nova substância, mas o transporte de substância.

Entretanto, a hipótese de aporte não está totalmente descartada. Se a nível paranormal, ela se torna inviável a nível supranormal, ou seja, no terreno da intervenção milagrosa de Deus, encontra-se uma via possível.

Precisamos, contudo, antes distinguir em que consiste a natureza do milagre de Caná. Na grande maioria das traduções, o fato ocorreu quando não se tinha mais vinho, portanto, estaríamos diante de um milagre de criação de uma substância a partir “do nada”, uma transformação propriamente dita. Mas, nas versões BAM e a TNM sugerem que o vinho estava prestes a acabar: o que significaria uma multiplicação de substância, como Jesus o fez com os pães e peixes (Jo 6,1-15) e, mais especificamente, Elias fez com o azeite (1Rs 17,16) e, depois, Eliseu (2Rs 4,1-7.42ss)(33) .

Detenhamo-nos na hipótese mais comum de transformação de substância.

Na Bíblia temos, ao menos, um caso bastante parecido e polêmico. Trata-se da primeira das Dez Pragas do Egito, onde Moisés transforma água em sangue:

“Javé disse a Moisés: “Diga a Aarão: ‘Tome a vara e estenda a mão sobre as águas do Egito, sobre os rios, canais, lagoas e sobre todos os reservatórios, para que se convertam em sangue. Haverá sangue em toda a terra do Egito, até nas vasilhas de madeira e de pedra’” Moisés e Aarão fizeram como Javé tinha mandado. Aarão ergueu a vara, tocou a água do rio diante do Faraó e de sua corte; e toda a água do Nilo se transformou em sangue. Os peixes do rio morreram, o rio ficou poluído, e os egípcios não podiam beber a água do rio. E houve sangue por todo o país do Egito. (Ex 7,19ss)(34).

Um outro episódio na vida de Moisés tem a ver com o que estamos abordando. Porém, nele se transforma água insalubre em potável:

Moisés fez partir os israelitas do mar Vermelho e os dirigiu para o deserto de Sur. Caminharam três dias no deserto, sem encontrar água. Chegaram a Mara, onde não puderam beber de sua água, porque era amarga, de onde o nome de Mara que deram a esse lugar. Então o povo murmurou contra Moisés: “Que havemos de beber?” Moisés clamou ao Senhor, e o Senhor indicou-lhe um madeiro que ele jogou na água. E esta tornou-se doce. Foi nesse lugar que o Senhor deu ao povo preceitos e leis, e ali o provou. (Ex 15,22-25)(35).

Caso parecido ocorreu na vida de Eliseu:

Os habitantes da cidade disseram a Eliseu: A cidade está muito bem situada, como o pode ver o meu senhor, mas as águas são más e tornam a terra estéril. Eliseu disse-lhes: Trazei-me um prato novo, e ponde nele sal. Eles lho trouxeram. Eliseu foi à fonte e deitou sal nela, dizendo: Eis o que diz o Senhor: Sanei estas águas, e elas não causarão mais nem morte, nem esterilidade. Ficaram as águas sadias e ainda o são, segundo a palavra que o Senhor tinha dito por Eliseu. (2Rs 2,19-22).

No entender do padre Quevedo, passagens como essas se enquadram na categoria de milagres “praeter naturam”, ou seja, operados na ausência de meio empregado. “Se para obtermos da água o hidrogênio e o oxigênio, que são elementos seus constitutivos, é necessário, ao menos, a ação da corrente elétrica e um determinado tempo, não sabemos calcular quanto tempo se precisaria e quantos maiores esforços seriam necessários para transformar água em vinho, que não está incluído nas possibilidades imediatas dela”. E explica: “A ciência moderna, após as pesquisas do grande físico inglês Lorde Rutherford, em 1919, conhece a química das transformações. Rutherford bombardeou com raios alfa nitrogênio e oxigênio puros. Sob o intenso bombardeio os núcleos de nitrogênio e do oxigênio se desintegraram, sendo expulsos do azoto os núcleos atômicos de hidrogênio do nitrogênio. Em 1934, Frederico e Irene Jolliot-Currier bombardearam alumínio com raios alfa de polônio radioativo, e os átomos de alumínio se transformaram em fósforo, ficando também radioativos”. E conclui: “mas nas bodas de Caná, evidentemente Jesus não dispunha desses grandes e complicados instrumentos”(36).

Contudo, alguém poderia estar se perguntando: não seria a suposição de milagre, nesse casos, uma leitura fundamentalista? Não, visto que existem muitos outros casos na história da Igreja, onde os santos, por intervenção divina, conseguiram a transformação de substâncias, praeter naturam. Citemos alguns:
  • A jovem duquesa Isabel de Hungria (1207-1231) comia sozinha sua refeição composta de pão seco e água, o duque, chegando de improviso, quis, como mostra de carinho, beber do mesmo copo e, encontrou um líquido que lhe pareceu o melhor vinho do mundo. Perguntando ao copeiro sobre o vinho, este lhe respondeu que havia servido apenas água(37).
  • São Bennon (1010-1116) visitando uma vez certos agricultores, vendo que, cansados pelo trabalho, sofriam muita sede, movido pela compaixão,transformou água em vinho(38).
  • Santa Brígida, padroeira da Irlanda, teve compaixão de trabalhadores que só tinham água para beber, fez o sinal-da-cruz sobre o tanque de água e esta começou a mudar de cor. Quando foram beber verificaram que se tratava de cerveja(39).
  • São Malua de Irlanda pediu que seus monges enchesse uns recipientes com água da fonte. Tendo feito isso a água se transformou em leite com sabor de mel e efeitos do vinho(40).
  • Muitas vezes o pó tirado do túmulo de Santa Cunegonda, imperatriz da Alemanha (+1040), converteu-se em pão(41).
  • Conta-se que uma companheira de trabalho, invejosa da estima que Santa Zita (séc. XIII) tinha sabido conquistar, acusara junto ao patrão de dar muitas coisas aos pobres. De fato um dia Zita foi surpreendida enquanto saia de casa com o avental cheio para visitar uma família necessitada. À pergunta do patrão respondeu que estava levando flores e folhagens. E deixando livres as pontas do avental, uma chuva de flores caiu aos seus pés(42).
  • São Francisco Xavier (1506-1532) navegava rumo à China, com quinhentas pessoas, quando o grande veleiro ficou catorze dias imóvel. Dentre inúmeras dificuldades, havia a falta de água, muitos morreram de sede. O Santo mandou encher todos os recipientes com água do mar e, após benzê-los, a água se tornou potável(43).
  • Um caso mais recente de transformação de substância aconteceu aqui mesmo no Brasil. Sobre a mesa da sacristia da Matriz de São José Garcia (distrito de Itaúna – Minas Gerais), foram encontradas duas âmbulas cheias de Hóstias e cobertas por véus. Duvidando se estavam ou não consagradas, o padre Sebastião Faria Ramos colocou-as em um vidro grande, cheio de água, para que se desmanchassem. Na Sexta-feira da Paixão (09/04/2004), vinte e cinco dias depois do ocorrido, descobriu-se que a água e as Hóstias ficaram avermelhadas. Fez-se então um teste; encheu-se outro vidro de água com hóstias não consagradas; até hoje, este permanece todo branco. Assim, o padre levou o vidro com a água e as Hóstias avermelhadas para o senhor bispo, que mandou fazer dois exames em laboratório, um em Divinópolis, outro em Belo Horizonte: ambos comprovaram que era sangue com hemácias! Está tudo documentado, com fotografias, em um processo no Tribunal Eclesiástico da Diocese de Divinópolis(44).
E muitos outros casos desse tipo são observados na História da Igreja.
 Milagre eucarístico de Itaúna/Divinópolis: onde a água se transformou em sangue.
Foto: Agentes da Fé
Grande parte dos tradutores quer minimizar o fenômeno de Caná, tratando-o como mero símbolo, “sinal”. Para a NVI, tendo em vista a intervenção divina, fala em “sinal miraculoso”. Para a BAM, a NTLH, a SBB e BV, a palavra grega θαυμάτων (thaumaton), coisa maravilhosa, extraordinária, extraordinária(45), é traduzida como “milagre”. De fato, se analisarmos os “sete sinais” contidos no Evangelho de João, em comparação aos inúmeros efeitos maravilhosos descritos nos sinóticos, veremos que as narrativas joaninas são muito maiores e, certamente, podem ser classificadas como milagres no sentido teológico atual de uma intervenção especial divina, superior, diferente e/ou contrária ao que a natureza pode por si.

Notas:
  1.  Para esse estudo foram usadas as seguintes traduções do meio católico: Bíblia Edição Pastoral (BEP); Bíblia Ave-Maria (BAM), Bíblia da CNBB, Bíblia do Peregrino (BP).  De outras denominações cristãs nos utilizamos das versões: Bíblia Linguagem de Hoje (LH), Bíblia Nova Versão Internacional (BNVI), Bíblia Viva (BV), Sociedade Bíblica Britânica (SBB), Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas (TNM), Almeida Revista e Atualizada (ARA) e Almeida Revista e Corrigida (ARC). De caráter ecumênico, nos utilizamos da Bíblia Tradução Ecumênica (TEB). 
  2.   MEIER, John P. Um Judeu Marginal: repensando o Jesus Histórico – Vol. Dois, Livro Três. Rio de Janeiro: Imago, 1998 p. 505-506.
  3.   KONINGS, Johan. Evangelho Segundo João. São Paulo: Ed. Loyola, 2005 p. 100.
  4.   Idem, p. 505.
  5.   KEENER, Graig. Comentário Bíblico Novo Testamento. Belo Horizonte: Atos, 2004 p. 277.
  6.   MEIER, John P. Um Judeu Marginal: repensando o Jesus Histórico – Vol. Dois, Livro Três. Rio de Janeiro: Imago, 1998 p. 506.
  7.   No Antigo Testamento, por várias vezes, Deus é descrito como esposo de Israel, rejubilando-se com sua noiva no banquete nupcial do fim dos tempos (Is 54,4-8; 32,4-5). “É interessante que, nessas passagens proféticas do AT, é sempre Iahweh, e não alguma figura ‘messiânica’ humana, que é  descrito como o noivo ou esposo de Israel (ver também Os 1-2; Jr 2,2; 3,1-12; Ez 16,23) è no NT que encontramos a figura messiânica de Jesus tomando o lugar de Iahweh como o noivo casando-se com o povo de Deus nos últimos dias. O Apocalipse, uma obra num certo sentido dentro do âmbito da teologia joanina, se rejubila com ‘o banquete das núpcias do Cordeiro [Jesus morto e ressuscitado]’ (Ap 19,9). Assim, a noiva do Cordeiro é a Igreja, que exorta seu noivo (Jesus, o Cordeiro) a vir (Ap 19,7; 22,17). De maneira semelhante, em sua parábola das virgens (Mt 25,1-13), Mateus apresenta Jesus como o noivo chegando para seu povo na parúsia. Mateus também transforma a parábola de Q sobre o grande banquete (cf. Lc 14,15-24) em um banquete nupcial escatológico, que Deus, o Rei, prepara para seu filho (Mt 22,1-14)... A Epístola aos Efésios, mesmo não usando o termo exato, ‘noivo’, faz da união de Cristo com sua igreja o arquétipo e exemplo do amor entre esposos no casamento cristão (Ef 5,22-23). Portanto, a transferência da imagem do noivo, de Iahweh para o Messias, no século I A.D., parece muito ser uma peça de teologia cristã. é significativo que a ampla maioria das passagens onde Jesus é citado explicitamente como um noivo, ou é mostrado em um casamento, vem da segunda geração cristã (Efésios, Mateus, Apocalipse e Evangelho de João). Curiosamente, a despeito de todas essas imagens de noivo, a única vez nos evangelho em que uma figura histórica da narrativa se refere a Jesus de forma direta como o noivo de Israel é no Evangelho de João” (Jo 3,27-30). MEIER, John P. Um Judeu Marginal: repensando o Jesus Histórico – Vol. Dois, Livro Três. Rio de Janeiro: Imago, 1998 p. 511-512.
  8.   KEENER, Graig. Comentário Bíblico Novo Testamento. Belo Horizonte: Atos, 2004 p. 277. Recentemente, uma arqueóloga diz ter encontrado as ruínas da cidade de Caná, esta vila judaica existiu por um período de 700 anos ao longo da história, nos períodos do helenismo, romano, e bizantino e é citada em duas outras ocasiões: uma em uma descrição do século II AD (Eleazar Kleir) e outra em um outro em uma inscrição romana achada na cidade de Cesárea. Extraído do site: http://www.cafetorah.com/Cana-da-Galileia-Expedicao-Arqueologica 
  9.   KEENER, Graig. Comentário Bíblico Novo Testamento. Belo Horizonte: Atos, 2004 p. 277. Na opinião de Meier, representando o pensamento de vários autores, o vinho representa uma realidade escatológica mais elevada, espiritual. “Não é necessário procurar muito no AT para entender o simbolismo. Como a fartura de vinho naépoca da colheita (o fim do ano) é um símbolo natural de ‘alegria no final’, por certo os profetas do AT usaram a imagem do vinho abundante para simbolizar a alegria dos ‘últimos dias’, qudno Iahweh reverteria a pecaminosa e triste condição de seu povo (ver Am 9,13-14; Is 25,6-7; Jr 31,12-14)”. MEIER, John P. Um Judeu Marginal: repensando o Jesus Histórico – Vol. Dois, Livro Três. Rio de Janeiro: Imago, 1998 p. 511. A mesma temática é encontrada na literatura apócrifa (Enoc, Apocalipse de Baruc).
  10.  KEENER, Graig. Comentário Bíblico Novo Testamento. Belo Horizonte: Atos, 2004 p. 277.
  11.   São Tomás comenta que Cristo chama Maria de mulher, para mostrar que Ele era Filho de Deus e de uma mulher, a fim de combater todas as heresias gnósticas, como a dos maniqueus e a dos cátaros, que condenavam a matéria como sendo má em si, e obra do deus do mal. Por isso, maniqueus e cátaros condenavam a mulher, o casamento e a procriação São Tomás se baseia em São Paulo que fala que Cristo, na plenitude dos tempos nasceu de uma mulher (Gl 4,4). Em seu Comentário ao Evangelho de São João , São Tomás nos diz que, a Virgem Maria, pedindo o milagre a Cristo em Caná, 'representa nisto a Sinagoga, que é a mãe de Cristo: com efeito, os judeus têm o hábito de pedir milagres, como o diz São Paulo: 'Os judeus pedem sinais' (I Cor. I, 22). Diz ele que 'no sentido místico [é preciso compreender que] nas núpcias espirituais, a Mãe de Jesus, a Virgem bem-aventurada, está presente na qualidade de conselheira das núpcias, porque é por sua intercessão que somos unidos a Cristo pela graça'. Extraído do site: Pierre de Craon - "As bodas de Caná" MONTFORT Associação Cultural http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=igreja&artigo=bodas&lang=bra  Online, 23/05/2011 às 23:09h . Acrescentemos também que Santo Agostinho, dizia que Cristo refere-se à sua Mãe como “mulher” em alusão a mulher de Gêneses que esmagaria a cabeça da serpente: Maria seria, pois, a Nova Eva.
  12.   Flanagan escreve sobre esse versículo: “é extremamente difícil explicar o v.4: ‘ que quers de mim, mulher? A minha hora ainda não chegou’. Se anularmos o versículo, a narrativa flui com facilidade. Se o deixarmos, como o próprio texto exige, teremos a mãe pedindo, Jesus negando e, contudo, o sinal-milagre acontecendo  (...) uma das explicações mais prováveis é que o v.4 não estava no texto pré-evangélico original, que apresentava um relato direto do incidente, no qual o pedido da mãe era atendido pela resposta afirmativa do filho”. FLANAGAN, Neal M., João. In: BERGANT, Dianne & KARRIS, Robert J. (org.). Comentário Bíblico III. São Paulo: Ed. Loyola, 2001 (3ªEd.) p. 111.
  13.   Os estudiosos da TEB, observam em nota (w) que a tradução literal do trecho seria “que há para ti e para mim? Em certos contextos, isso pode significar: por que te intrometes? Assim Mc 1,24. A expressão era corrente tanto nos meios judaicos como na língua grega. Ela indica certa diferença de plano entre os interlocutores.
  14.   Concordam a maioria das versões. A BEP, NTLH, SBB e NVI escrevem “mandar” enfatizado o caráter de ordem. As versões CNBB, TEB, ARA, ARC e BV ressaltam: “tudo” o que ele disser/mandar.
  15.   RUSCONI, Carlo. Dicionário do grego do Novo Testamento. São Paulo: Paulus, 2003 p. 472 (verbete: ύπηρέτης).
  16.   KONINGS, Johan. Evangelho Segundo João. São Paulo: Ed. Loyola, 2005 p. 102
  17.   Nas versões ARA, ARC, SBB, aparece a palavra “duas ou três metretas”. Para os estudiosos da TEB, uma medida equivale a 40 litros.
  18.   KEENER, Graig. Comentário Bíblico Novo Testamento. Belo Horizonte: Atos, 2004 p. 278.
  19.   MEIER, John P. Um Judeu Marginal: repensando o Jesus Histórico – Vol. Dois, Livro Três. Rio de Janeiro: Imago, 1998 p. 517.
  20.   LEON-DUFOUR, Xavier. Leitura do Evangelho Segundo João. São Paulo: Ed. Loyola, 1996 p. 187.
  21.   FLANAGAN, Neal M., João. In: BERGANT, Dianne & KARRIS, Robert J. (org.). Comentário Bíblico III. São Paulo: Ed. Loyola, 2001 (3ªEd.) p. 111.
  22.   MEIER, John P. Um Judeu Marginal: repensando o Jesus Histórico – Vol. Dois, Livro Três. Rio de Janeiro: Imago, 1998 p. 514.
  23.   KONINGS, Johan. Evangelho Segundo João. São Paulo: Ed. Loyola, 2005 p. 102
  24.   Idem, p. 103.
  25.   MEIER, John P. Um Judeu Marginal: repensando o Jesus Histórico – Vol. Dois, Livro Três. Rio de Janeiro: Imago, 1998 p. 518.
  26.   Idem, p. 518-519.
  27.   Idem, p. 519-520.
  28.   ARENS, Eduardo. A Bíblia sem mitos – uma introdução crítica. São Paulo: Paulus, 2007 p. 337.
  29.   Extraído do site: Pierre de Craon - "As bodas de Caná" MONTFORT Associação Cultural http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=igreja&artigo=bodas&lang=bra Online, 23/05/2011 às 23:09h
  30.   MEIER, John P. Um Judeu Marginal: repensando o Jesus Histórico – Vol. Dois, Livro Três. Rio de Janeiro: Imago, 1998 p. 594 (nota 235).
  31.   PERGUNTE E RESPONDEREMOS, Ano XIII, nº 134 (Fev/1971) p. 75-81.
  32.   Em geral o termo implica e designa qualquer efeito de passagem da matéria através da matéria. Estritamente refere-se a um objeto material, nunca de grande tamanho (meio tijolo já é caso extremo), que atravessa a barreira física, sem aberturas, a saída ou entrada de objetos pequenos em receptáculos fechados ou selados, como as paredes ou o teto de um recinto... Na realidade é um efeito da Telergia. É um dos mais freqüentes entre os fenômenos parapsicológicos, tantas e tantas vezes verificado em observações indiscutíveis de Casos Espontâneos e mesmo de Experiências Qualitativas. A essência do Aporte é matéria através de matéria. Todos os objetos do Aporte têm que estar e não vão mais longe do que a poucos metros do Psíquico. A Telergia influindo na velocidade das partículas que compõem o objeto consegue que se transforme em energia, e assim atravessa qualquer obstáculo, depois pelo processo inverso a energia transforma-se novamente em objeto. Extraído do site: http://www.clap.org.br/dicionario/dic-a.htm (verbete Aporte).
  33.   O frei Mauro Strabeli considera tais episódios da vida de Elias e Eliseu como construto literário feitas pelo grupo deos discípulos destes profetas. In: STRABELI, Mauro. Perguntas que o povo faz. São Paulo: Paulus, 1990 (9ªEd.) p.84-85. Entretanto, devemos frisar que existem inúmeros casos semelhantes na hagiografia católica de multiplicação de alimentos. Ainda trataremos deles em momento oportuno.
  34.   Muitas hipóteses foram levantadas para tentar explicar esse fenômeno: para o cientista Colin J. Humphreys em seu livro “Os milagres do Êxodo” explica as dez pragas da seguinte forma. A primeira, a transformação da água em sangue (Ex 7,14-24) se deu devido ao avanço das águas do Nilo durante uma cheia, trazendo consigo uma grande quantidade de partículas de terra vermelha que ficaram suspensas na água, mas isso não é suficiente para matar os peixes. Essa terra acumulada em estuários de águas paradas, ricas em nutrientes e devido ao tempo muito quente, proporcionaria a combinação perfeita para o desenvolvimento de algas vermelhas tóxicas, estas, sim, seriam letais aos peixes e isso faria com que o rio cheirasse mal. HUMPHREYS, Colin J. Os milagres do êxodo. Rio de Janeiro: Imago, 2004 p.120-121. Para James Cameron, no documentário Êxodo Decodificado a causa das “Dez Pragas” seria uma enorme erupção vulcânica ocorrida na ilha de Santorini, a 700 km dali. Tal evento teria provocado terremotos e fissuras no fundo do rio Nilo e, das fendas, liberaria um gás que se misturou ao ferro do rio, criando a coloração vermelha da água, semelhante ao sangue. Esse gás fez com que os sapos fugissem do rio, começando a invadir as casas egípcias. Extraído do site: http://mundoestranho.abril.com.br/historia/pergunta_412292.shtml Cada uma dessas teorias tem sua fragilidade (v. artigo “As Dez Pragas do Egito” In: http://sergiogleiston.blogspot.com/2011/05/as-dez-pragas-do-egito.html). Um outro ponto contrário ao milagre da transformação da água em sangue é que “Os magos do Egito, porém, fizeram o mesmo com suas ciências ocultas” (Ex 7,22). Cabe, porém, a observação de que Moisés e Aarão fizeram tudo às claras, sem artifícios. O resultado dos magos pode ter sido semelhante, mas o método pode ter sido distinto.
  35.   Para Humphreys, as águas de Mara (a qual ele identifica com Madiã e a atual al-Bad’ eram doces e frescas, tendo sido salinizadas por uma tempestade de areia. Moisés teria utilizado de carvão vegetal para purificar as águas anteriormente potáveis. HUMPHREYS, Colin J. Os milagres do êxodo. Rio de Janeiro: Imago, 2004 p.261-266.
  36.   QUEVEDO, Oscar G. Milagres, a ciência confirma a fé. São Paulo: Loyola. 2000 (2ª ed.) p. 79
  37.   Idem, p.80
  38.   Idem, p.81
  39.   Ibidem.
  40.   Ibidem.
  41.   Idem, p.82
  42.   SGARBOSSA, Mario & GIOVANNINI,Luigi. Um santo para cada dia. São Paulo: Paulus,1996 p.131
  43.   QUEVEDO, Oscar G. Milagres, a ciência confirma a fé. São Paulo: Loyola. 2000 (2ª ed.) p.85.
  44.   PIEROTTI, Graça. Milagres e testemunhos eucarísticos. São Paulo: Palavra & Prece Editora, 2006 p.170
  45.   RUSCONI, Carlo. Dicionário do grego do Novo Testamento. São Paulo: Paulus, 2003 p. 224 (verbete: θαυμάτóς).
((•)) Ouça este post Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Nenhum comentário:

Postar um comentário