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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Apóstolo Paulo: judeu da diáspora

“O termo Diáspora (“dispersão”; cf. 2Mc 1,27) é freqüente no Judaísmo do período helenístico como um termo técnico para o estabelecimento de judeus no exterior”(01). Paulo e sua família eram, pois, judeus da diáspora. “Os judeus que viviam na diáspora (...) eram mais numerosos do que os habitantes de Jerusalém e da Galiléia. Foram expatriados por diversas razões depois que Alexandre Magno redesenhou o mapa político do Mediterrâneo e do Oriente Próximo, e depois que o irresistível poder romano acabou com qualquer tipo de oposição grega e egípcia. Alguns judeus foram para a diáspora levados pela guerra: alguns como soldados escravizados ou mercenários que debandavam para o lado vitorioso nas batalhas helênicas ou hasmoneanas. Alguns teriam sido vendidos como escravos no reinado Greco-egípcio e depois Greco-sírio, e, finalmente, sob generais romanos como Pompeu, Crasso e Varo. De vez em quando, escravos judeus ou seus filhos eram alforriados ou libertados, mas não retornavam para a Judéia. Mercadores, banqueiros ou comerciantes judeus sentiam-se atraídos pelas oportunidades econômicas existentes (...) e, eventualmente, chegavam mesmo a se tornar cidadãos romanos”(02).
“Traços característicos da Diáspora foram, antes de tudo, a estrita vida comunitária dos judeus que viviam nos diferentes centros e, em seguida, o contato íntimo mantido entre as várias células, com Jerusalém como o ponto focal de toda a vasta rede”(03). Como se relacionavam com o Templo de Jerusalém e sua Terra? “De um lado, os judeus preservavam as tradições e identidade. De outro, acomodavam-se às realidades e aceitavam ao mesmo tempo os benefícios da vida fora de Jerusalém e da terra natal”(04).
“A constituição das comunidades individualmente variava de acordo com o lugar e com a posição jurídica de cada uma numa determinada cidade ou estado. Cada comunidade era governada por uma gerousia (“conselho”) formada por “Anciãos”. Por toda parte surgiam sinagogas, e os ofícios de archisynagogos (“superintendente do culto”) e de archontes (“magistrados-chefes”) eram elementos constantes nas comunidades. A lei romana não só reconhecia e protegia essa organização especial, mas também concedia privilégios especiais aos judeus. O direito que tinham de coletar a taxa para o Templo e mandá-la para Jerusalém foi escrupulosamente salvaguardado. Eles eram dispensados da participação em cerimônias pagãs e de jurar pelo nome do imperador – esperava-se que eles orassem pelo imperador – e a observância do sábado foi respaldada”(05).
Foi também em uma dessas comunidades judaicas da diáspora, a de Alexandria, que a Bíblia Hebraica foi traduzida para o grego, no século III a.C., a chamada Versão dos Setenta (LXX) ou Septuaginta. Essa foi a Bíblia dos judeus da Diáspora. Era um desenvolvimento de capital importância não apenas para o Judaísmo, mas também para o Cristianismo, visto que ela se tornou a Bíblia da Igreja primitiva. “Contudo, o papel providencial da Diáspora não se limita a isso: o ativo proselitismo de muitos judeus preparou o caminho para a difusão do Cristianismo. Gentios que tinham sido atraídos pelo monoteísmo e pelo elevado código de mora do Judaísmo encontraram na nova religião tudo aquilo que eles tinham procurado”(06) .

Notas:
  1.   HARRINGTON, Wilfrid. Chave para a Bíblia. São Paulo: Paulus, 1985 (4ª ed.) p. 190.
  2.   CROSSAN, John Dominic & REED, Jonathan L. Em busca de Paulo. São Paulo: Paulinas, 2007 pp. 58-59.
  3.   HARRINGTON, Wilfrid. Chave para a Bíblia. São Paulo: Paulus, 1985 (4ª ed.) p. 191.
  4.   CROSSAN, John Dominic & REED, Jonathan L. Em busca de Paulo. São Paulo: Paulinas, 2007 p. 59.
  5.   HARRINGTON, Wilfrid. Chave para a Bíblia. São Paulo: Paulus, 1985 (4ª ed.) p. 191.
  6.   Idem, p. 151.
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